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Associação Brasileira de Pirotecnia
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1. HISTÓRIA

Na América


Não se pode citar a história dos fogos de artifício na Argentina sem fazer antes menção do seu desenvolvimento no “Novo Mundo”, durante a colonização hispânica (1492-1819). De fato, durante esse período, as festividades e comemorações na América espanhola ocorriam a partir de alguns elementos comuns e reiterados, entre os quais o uso da pólvora ocupa um lugar preponderante.

Dias antes do sucesso, pregões oficiais estimulavam aos vizinhos a iluminar suas casas com velas, às famílias abastadas, ou simplesmente com fogachos, às mais humildes, o que contribuía enormemente para o espírito festivo, muito mais se se concebe que naquela época a escuridão noturna era a paisagem habitual.

Outra constante nos festejos da época é o fato de que começavam sempre na véspera, onde o uso insistente de pirotecnia contribuía para recordar à população a chegada iminente do dia assinalado.

Na manhã seguinte os vizinhos eram despertados por salvas, por foguetes e pelos sinos das igrejas. As infaltáveis e solenes cerimônias religiosas eram acompanhadas por incríveis efeitos de estrondo em seus momentos mais consagrados.

A presença da pólvora nas festas, à qual os nativos estavam habituados desde a época da conquista, foi notável durante todo o período de colonização, sob a forma de salvas de artilharia e uso de todo tipo de armas de fogo, e também “castelos” de fogos de artifício, foguetes, rodas e outros.

Essa pólvora provinha inicialmente dos abundantes polvorins reais, que cresciam juntamente com o desenvolvimento do novo estado dos Reis Católicos (Isabel I, de Castilha e Fernando II, de Aragão), que fortaleciam seu poder civil e eclesiástico graças ao apoio valioso das forças armadas. Apenas mais tarde, quando a conquista já se havia formalizado e a colonização se assegurava, a Espanha pôde permitir, e inclusive incentivar, sua fabricação na América.

Os nativos desenvolveram um gosto notável pelo uso de armas de fogo nas festividades, fixação que lhes permitia manifestar seus sentimentos de alegria e expressar sua interioridade, de maneira a fazer uma catarse, necessidade por demais imperiosa nessa época, quando as condições de existência eram extremas e os sacrifícios incalculáveis. O fundamento desse modo arraigado de festejo talvez se encontre no fomento exercido pelas autoridades espanholas, uma vez que a cobiça que geravam em outros reinados as riquezas americanas fazia presumir permanentemente invasões inimigas: a Espanha contava assim, definitivamente, com uma população treinada e instruída no seu uso, fortalecendo a ordem real de julho de 1573, de autoria de Felipe II, na qual todo indivíduo maior de 18 anos tinha a obrigação de combate em caso de necessidade.

As tímidas proibições que a Espanha quis exercer mais tarde, no final do século XVIII, não foram eficazes, e hoje, através do gosto particular de se tem nesta parte do mundo pelo consumo de pirotecnia, talvez se possa ver traços dessa mesma origem.

Quanto às fábricas americanas, o primeiro antecedente conhecido se refere aos artifícios que se produziram em Cuzco (Vice-Reinado do Perú), durante o governo do vice-rei Francisco de Toledo, para a comemoração da batalha de Lepanto (1571), vitória de Felipe II sobre o império otomano.

Alguns anos mais tarde (1607), a Guatemala (vice-reinado da Nova Espanha) também fabrica sua própria pirotecnia para as festas patronais de Santa Cecília.

Também na Guatemala, em 1680, por ocasião da inauguração da catedral, e durante uma semana de festejos, pode-se observar diariamente extraordinários castelos pirotécnicos, representando árvores de fogo, torres, palmeiras, campanários. Apesar do custo alto, as autoridades “ficaram muito satisfeitas, apesar do enfraquecimento de seus cofres, qualquer sacrifício consideravam como bem empregado ao ouvir como os vizinhos exclamavam entusiasmados e boquiabertos: - Aqui é o centro da luz e o país dos regozijos”.

Orizaba, cidade situada ao pé de Citlaltepelt, a montanha mais alta do México, experimentou, durante o vice-reinado da Nova Espanha, um desenvolvimento significativo, por ser a primeira escala a partir do porto de Vera Cruz. Como símbolo de prestígio, organizou-se ali, em 1774, uma festa de duraria três noites, patrocinada pelo governo, pelo cabido e pela igreja, respectivamente, que realizaram espetáculos pirotécnicos que competiram ferozmente em beleza e iluminação, tanto que “nem durante as festas, nem meses depois os vizinhos entraram em acordo sobre suas preferências”.

Luís Antonio de Bouganville foi o primeiro navegante francês que realizou, em 1766, uma viagem ao redor do mundo (Dois anos antes havia fundado nas ilhas Malvinas, uma colônia francesa, que foi rapidamente desmantelada em função da irada reclamação espanhola). Em sua crônica de viagem faz referência ao intenso uso de fogos de artifício em Buenos Aires, por ocasião das festas religiosas.

Na Argentina, a primeira fábrica de pirotecnia foi inaugurada pelo catalão José Sentanasch, em fevereiro de 1789.

A partir da revolução de Maio, as necessidades de equipar e abastecer o exército deram lugar à aparição de numerosas fábricas de pólvora em Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Jujuy. Por ocasião da cruzada dos Andes, em 1817, por exemplo, a fábrica de pólvora de abasteceu ao exército do General San Martín, esteve a cargo do engenheiro José Antonio Álvarez Condarco.

Em 1860 é realizada, na Rua Andes, número 1.000 (hoje José Evaristo Uriburu) o primeiro espetáculo de fogos de artifício, a cargo de Antonio Piratte.

Em princípios do século XX se realizam inumeráveis concursos pirotécnicos em Buenos Aires, a cargo de pirotécnicos como Carlos Fantini, Pablo Monchelli e Antonio Pellegrini.

Merece um lugar de destaque a festa da Colheita de Mendoza, cuja origem formal remonta a 11 de abril de 1913, e que desde 1936 festeja-se de forma periódica, contando com extraordinárias intervenções de pirotecnia ao longo do seu desenvolvimento.

Pouco a pouco, começa um grande período de “silêncio” quase absoluto da arte pirotécnica, talvez por causa de razões políticas, econômicas e sociais, que, além do mais, praticamente acabaram com as festividades populares em geral.

A atividade, felizmente, renasce com a democracia, e com força.
Em 1990, um canal de televisão se anima a fazer uma experiência inédita: convida ao público para presenciar um extraordinário espetáculo de fogos de artifício, tanto pela sua intensidade, como pela sua envergadura e duração, em comemorações das festas de fim de ano. O público, mais que numeroso, não apenas adere, mas dispõe-se a esperar o próximo evento com impaciência. Ao longo desses anos esse espetáculo se transformou, para milhares e milhares de pessoas, num encontro indubitável. Uma verdadeira tradição.

“Expressão cultural particularmente associada às festividades, os fogos de artifício são também herdeiros de uma grande tradição tecnológica. Desde a conquista do fogo, há meio milhão de anos, até os modernos conceitos de energia. Há duas noções que se reúnem na pirotecnia: “a ciência de encerrar a energia e a arte de liberá-la, para produzir efeitos luminosos, sonoros ou fumígenos.”


Fonte Brasil: Aparecida Gontijo


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